quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Move on

Vou gaguejar. Meus amigos vão me puxar ao perceberem que não consigo mais levantar. É uma bela desculpa dizer que o tempo vai passar, mas afinal, essa desculpa não é válida nesse nosso contexto. Até a maldita distância, me deixou aqui sem saber pra onde ir, logo agora que ela deveria fazer o seu trabalho e te afastar de mim. A impaciência mandou eu me aquietar, pois já passou da hora dela ter um descanso. O orgulho pediu pra voltar, disse que já faz algum tempo que estava esquecido, e lembrou que já me livrou de muitas frustrações. O amor, coitado, finalmente resolveu ficar calado, alegando que nada do que me aconselhou resultou em algo bom. O que todos concordaram, foi que pela primeira vez em muito tempo, estou no caminho certo, talvez não aquele que eu queria seguir, mas o único que faz sentido nessa história toda.



"Mas eu ainda sei que meu coração vai saltar quando eu te ver, eu ainda sei que não vou conseguir parar de te olhar. Ainda sei que vou querer voltar e sei que mesmo assim, não será o suficiente.'



[Gaby]



domingo, 26 de setembro de 2010

Responsabilidade

"Até que ponto vai a responsabilidade? A partir de quando, aceitar ajuda dos outros passa a ser demais?..."

Olha, eu sei que é difícil continuar, mas dá-se um jeito. Eu sei que é difícil levar, quando todo mundo quer exigir algo de você, mas não é pra sempre. Você que errou tanto, passou por cima dos outros sem pensar, mas tudo bem, você já pagou o que devia e muito mais. Cobranças sempre vão existir. Partindo do fato de que você não é mais uma criança. É verdade, você ainda é uma criança pra se responsabilizar pelo que tem nas mãos, mas não foi criança pra saber dos riscos. E agora você fica ai, se lamuriando às escondidas, tentando consertar o que não tem conserto, querendo reparar o que não tem reparo. Já foi, já está ai, e a responsabilidade é sua. Dói, eu sei que dói, ninguém melhor do que eu pra saber isso. Mesmo assim, tente sair que hoje tem sol. Tente sorrir que chorar não faz o tempo voltar. Tente viver que o mundo te espera lá fora. Tente, ao menos isso.

Espero que dessa vez você escute o que eu digo. Atenciosamente, sua mente.




[Gaby]

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Dona Frigideira

Dona frigideira, que sempre quis ser sozinha
A única sem tampa
Perdida pela cozinha.

Não procura complemento
sempre fez seu alimento
não quer mais facas
raspando suas superfícies opacas.

Tampa grande, tampa de vidro, tampa de cobre
de tanto tentar, ela descobre
Dona frigideira, chega de procurar
você foi fabricada sem par!

Sei que é triste, ver todos por ai
Com seus complementos e pares
volta e meia deixa uma gota de óleo cair
ao perceber, que sua tampa nunca vai vir.

[Gaby]

sábado, 1 de maio de 2010

Quando os sonhos mudam

Eu te prometo, por tudo que eu sou, fui e ainda serei, que você será o ser mais feliz que já existiu. Que será cuidado e amado como nenhum outro, te prometo que terá orgulho de mim. Aprendi que isso implica em mudar tudo que eu sou. Nunca fui exemplo pra ninguém, nunca visionei na minha vida alguém além de mim mesma. Só que agora não será mais assim. Vou te ver crescer, te ensinar da vida e das coisas. Meu sonho já não é mais a bohemia, o interesse individual. Já não sonho tanto em ir ao Egito, em cursar história ou morar sozinha. Agora sonho em ser a pessoa que no futuro você dirá "é a minha mãe!". E a verdade é que depois disso, tudo, tudo passa a ter um sentido diferente. A vida de antes já não existe mais.

[Gaby]

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Já perdi tempo demais tentando agradar quem não se importa e amando quem não tem capacidade de amar.

[Gaby]

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Acordei extasiada. A dopamina que me correu as veias ontem, hoje me derrubou na cama. Entenda, é fácil dizer ao seu corpo físico pra onde andar, o que dizer. Mas não quando quando toda sua força mental é testada por um simples carinho no rosto. Eu não estava pronta para que minha força emocional fosse testada, a física sim, eu provavelmente seria capaz de dizer não, ou de sair correndo de lá e me trancar no meu quarto até que a vontade de te olhar fosse embora. Mas não consegui. Não há mais nada a dizer daquele discurso prolongado, eu já sei onde tudo vai chegar, e é a lugar nenhum. Mas e se eu aceitasse me enterrar nos seus braços só mais uma vez? Tudo bem, meu físico e mental estão cientes que não é por amor, que não vai acontecer de novo. Mas me permito uma despedida desse conforto emocional, e assim calada, pauso o relógio por um breve minuto...e me despeço.

[Gaby]

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Acabou que sobraram apenas eu, e a minha vontade de viver. Somos companheiras de longa data, e por mais que volta e meia ela se esconda, no fim, é o que me resta. É realmente difícil se tornar adulto. Você percebe que precisa deixar muitas coisas pra trás, se deseja seguir em frente. Quando acordei pela manhã, percebi que para o meu crescimento pessoal, e pra que a minha companheira 'vontade de viver' voltasse, eu precisaria me acostumar com a sua presença quietinha em cada canto do quarto, que com o tempo, vai se tornar parte da mobília e não um relevo imenso no meio das outras coisas. Percebi que existem muitas pessoas que me amam, que precisam do meu rosto sorrindo para se completarem de alguma forma. Quem disse que é fácil? Já não se pode mais chorar e gritar pelo simples fato de querer um brinquedo. Já não se pode fazer manha pra tomar banho. As preocupações crescem junto com a maturidade. E maturidade consiste em entender que agora você é responsável por você, que sua cara de tristeza não vai resolver nenhum problema, mas sim preocupar os que estão à sua volta e te amam. Maturidade é uma sensação de perda e nostalgia, ser forte é o que te resta no fim das contas. Ah, quem sabe um dia eu me apaixone de novo, só que, agora tenho outras prioridades.

[Gaby]

segunda-feira, 26 de abril de 2010

É que quando se está sóbrio, meu amor, o efeito que rege sobre mim, é aquele no qual você me dopou. Uns chamam de amor, outros de insanidade. Mas eu realmente não me sinto capaz de dar nome à essa mistura de medo, ansiedade, luxúria, (falta de) coragem, paixão...ah, e muito mais. As mãos que ficam tremulas ao perceberem o que a boca não é capaz de dizer. E os olhos atraiçoados e perdidos procuram achar o que dizer dentro de mim, e transtornados voltam à superfície buscando focalizar algo que mude o que encontraram nesse meu interior. Por dentro, por fora, em tudo, eles só conseguem ver você. E numa busca desenfreada de alcançar novas visões, tropeçam novamente nas tuas lembranças deixadas pelo quarto, em cima da cama, ao lado da cabeceira...e cansados de procurar pela pessoa em si, fecham-se. Sei que a embriaguez me transportaria desse dilema por algum raro tempo, mas efeito por efeito, posso dizer que me encontro bêbada desde que te conheci.

[Gaby]

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tanta Coisa

"E eu que tinha tanta, mas tanta coisa pra falar. As noites preparando discursos antes de dormir, e as palavras saiam de forma tão fácil, e eu não precisava encarar os seus olhos e meu coração não batia como se cada segundo fosse o último, e minhas mãos não tremiam ao passo que poderiam se aproximar das suas. Se eu pudesse te dizer que sinto falta do carinho ao qual me acostumei, se pudesse te mostrar que já foi longe demais e eu cheguei ao meu limite de esperar por horas e horas. Mas ah, você não sabe. Porque em cada respiração que conto com você por perto, é um pulso que some, uma palavra do discurso que some. E me pego querendo apenas te mostrar que tudo está bem, e que não preciso de nada além daquilo, embora volte pra casa pensando em tudo, tudo que devia ser dito. Mas tudo bem, a cada dia me desfaço e me completo."

[Gaby]

domingo, 24 de janeiro de 2010

Super(ficial)

Ah, meu bem!
Não use "eu te amo" como ponto final
amor é tão maior
que uma despedida banal!

Cuidado com isso que tens na mão.
Príncepe canalha, acorda!
Achas que é brinquedo meu coração
Pra volta e meia você dar corda?

Que falta me faz
Aquele outro que você era!
Ao menos de conta fazia
que sou o que você espera..

Intriga da vida, devo dizer,
mas devo ser incapaz,
de feliz fazer
este mero rapaz...

Cá veio,
logo pela porta sai
com meu coração partido ao meio
lhe direi "tudo bem, vai!"

[Gaby]

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O tempo passou rápido demais, nem vi como tudo aconteceu. Um dia acordei sem saber, se meu coração ainda era meu. Porque estremeço toda vez que te vejo de novo, com sutileza percebes meu sorriso bobo, e meus braços que esperam anciosos pra encontrar os braços seus, te encontro num abraço apertado, e me faz o dia valer a pena. Quantas vezes já repetimos essa cena? Com você, sou criança boba que ainda não cresceu, que os caminhos do coração ainda não aprendeu. Me surpreende a cada novo gesto, a cada novo toque. Como me aguenta tanto? Sou só criança mimada que volta e meia cai em pranto. Não quero saber como foi que te consegui pra mim, esse 'tudo' que eu queria. Como foi que mereci me acostumar com o seu cheiro no meu travesseiro. Deixa pra lá, te roubo um cigarro e peço o esqueiro. A fumaça pra limpar os pulmões, do ar que por vezes não tão bom se apresenta. Deixa pra lá, só deita do meu lado e me esquenta! E se o medo me toma por vezes, é o medo todo que eu tenho de te perder, meu menino. Te quero aconchegado do meu lado, te mostrar que te amo como nunca haviam amado, e se o tempo me permitir, meus olhos nunca hão de te ver partir.

[Gaby]




segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Hoje vi nos olhos da minha irmã a angústia
Nos olhos do meu pai a ausência
Procurei no espelho um disfarce
E vi nos meus olhos carência

Leis da vida e do tempo
Da sentida por estar de partida
Quem dera houvesse alento
Também na despedida



domingo, 25 de outubro de 2009

Promessas

Não te prometo nem encanto eterno, nem um poema do Vinícius, nem amor infinito.
Não te prometo posts decorados, dedicatórias vazias, nem beijos recheados de saudade ou um gole da minha cerveja.
Não te prometo minhas palavras bêbadas, meus artigos mais que indefinidos, meu sarcasmo ardido.
Não te prometo o coração acelerado, muito menos dilacerado, nem lábios que tremem num discurso vazio.
Não te prometo viagens inesquecíveis, fotografias coloridas ou canções de amor.
Não te prometo alegrias e nem descobertas obvias, nem a tristeza que procura rimas fáceis.
Não te prometo o ar que eu respiro, talvez aquela música com cordas de violão.
Não te prometo meu aperto, meu peito, meu abraço sonâmbulo.
Não te prometo o cheiro da terra molhada, ou lágrimas secas que pingam no chão.
Não te prometo um bilhete apressado, a lista de músicas que adoro, recados no celular
Não te prometo meu equilíbrio, minha angústia escondida, meu riso partido.
Não te prometo ir para jogos de futebol, muito menos torcer pelo seu time.
Não te prometo o futuro, o presente, o passado mais que perfeito.
Não te prometo meus papéis amassados, meu pânico, meu relógio parado.
Não te prometo poesias rasuradas, o jornal de ontem ou rascunhos aleatórios.
Não te prometo meu álbum de notas, minhas rotas, meus mapas.
Não te prometo minhas promessas, segredos, nem medos. Não te prometo mais nada, eu prometo.
E não te acordo para dar boa noite, só para me acomodar melhor ao seu lado. E te perco a cada bom dia, não me encontro.

Promessas, assim como palavras, podem ser levadas pelo vento.
Mesmo fechando a janela. Mesmo fechando os meus olhos.
Eu consigo perceber o que acontece dentro de cada um de nós.
Por isso, nada de promessas.
Vamos viver cada momento que pudermos juntos, tentando seguir por um único caminho, com o destino e o respeito em companhia, para que um dia, eu não te faça promessas, mas, sim, fale de algum sentimento mais denso e eterno que elas.


[Gaby]








sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Medo da Chuva

Você já perdeu o medo da chuva?
Deveria, pois não pode chover para sempre...
Por vezes, a chuva acompanha os piores raios e ventanias
mas as casas quase sempre ficam de pé
Construa sua casa com o teto e as paredes mais resistentes possíveis.
Esqueça, você só vai aprender isso
quando sua casa for levada, e você tiver que construir outra
e outra, e outra...não importa quantas
O que importa, é sempre reergue-la
com ajuda ou não, com animo ou não
com metáforas proferidas ou realismo vivido, não importa
você sempre vai perder, mas também sempre terá a chance de aprender
e quanto mais você cair, mais aprenderá a ser resistende aos tombos
afinal, quem nunca caiu, nunca compreenderá a importância de se levantar sempre que necessário.

[Gaby]





Não era bem assim (que era pra ser)

Tempo. Tempo exato para uma coitada como eu
que aprendeu a perder o que de melhor possuia.
não era ouro, nem era ambição
eu só queria e tinha o que todo mundo quer:
alguém que te acompanhe onde estiver.
Uma coitada como eu que já passei,
aquela sensação de falta de ar, como se não pudesse mais respirar
e tudo por causa de um ser,
mas que poder esse ser pode exercer!
Na verdade, nem é por ar que se pede nessa hora
é acordar, e perceber que dormiu e perdeu a hora.
Aceita todo fragmento de ilusão,
pobre de nós deixados, só queriamos um pouquinho de bajulação...

[Gaby]







terça-feira, 11 de agosto de 2009

Desencontro Juvenil

Por sempre correr demais
Acabei por lhe deixar pra trás
Mas não permito me martirizar
O bem foi pra ti, se for analisar

Entro em lembranças, me perco nos dias
Se me visse agora por dentro, nada de bom encontrarias
Mas não procuro mudança
Quero apenas paz e uma vida mansa

Não procuro palavras de consolo
Porque não encontro nada que queira resgatar
Me sinto melhor no abandono
E esperando a noite passar

[Gaby]






quarta-feira, 22 de julho de 2009

O extremo da média

Se analisar-me bem, sou a metade dos extremos.
Porque sou calma, mas me irrito com facilidade
Porque sou do contra, mas não sou totalmente a favor, e vise-versa.
Sou a média, o equilíbrio. Não sou demais nem de menos.
Minha vida não é parada, mas também não é um mar de aventuras
Claro, as vezes sou desequilibrada. E até isso causa equílibrio,
pra que eu não seja sempre equilibrada, e nem sempre descontrolada
Ao contrário da vida animada ou parada, a vida média é muito chata,
é equilibrada demais, normal demais

Isso causa excesso de 'demais', o que gera desequilibrio
Talvez esse seja o meu único descontrole: O controle absoluto.

Cansou-se de ler a palavra "equilíbrio"?
Trata-se apenas de um desequilibrio de palavras repetidas.

[Gaby]






terça-feira, 2 de junho de 2009

Psicologia barata

Não quero que os outros me vejam chorando todos os dias
porque não quero visitar um psicólogo
pra tratar da alma com comprimidos anti-tristeza
não quero ouvir a opinião de um especialista
pra, ao invés de achar, ter certeza que já não me sobrou mais nada
pois o que quer que tenha sobrado, eu enchergo distante, em preto e branco
num instante tudo mudou, e eu já não sinto mais nada de bom
nem sequer a leviana inspiranção que me levava a escrever.

[Gaby]


quarta-feira, 20 de maio de 2009

Nem sempre o que é, realmente é.

Escrevo por que preciso, e não pela beleza da palavra.
Bonito em si é ter um abrigo, e não o sofrimento de umas linhas que eu escrevo, e depois mal-digo.
Eu era mais um daqueles humanos que cobiçam o novo, o diferente. Mas após conquistar o inovador, vi que nem sempre a mudança trás novas sensações, que talvez um conforto, uma certeza, valham muito mais do que aventuras perdidas, que com o tempo nos cansam e nos reduzem a pó.

[Gaby]





domingo, 29 de março de 2009

O efeito do som

Eu queria poder gritar,
mas já não tenho mais voz.
Eu queria poder chorar,
mas as lágrimas já secaram.
E também queria pular,
mas muitas horas já se passaram, e eu já não sinto meus pés.
Porém, saio daqui tendo a certeza
de que valeu a pena, e eu faria tudo de novo.


[Gaby]